Denys Arcand completa trilogia
Imagine uma cidade com trânsito mais emaranhado do que em São Paulo. Imagine um dia em que a palavra “negro” será considerada uma “não-palavra”, onde seremos proibidos por lei de pronunciá-la. Imagine que somos vetados de fumar à distância de 1 Km de qualquer prédio público!
Imaginou? Este é o mundo em que vive Jean-Marc (Mark Labrèche) numa Quebéc muito próxima ao fim dos tempos. Ela compõe o cenário de A Era da Inocência que encerra a trilogia do diretor canadense Denys Arcand; os outros foram O Declínio do Império Americano (1986) e As Invasões Bárbaras (2003).
Com esse panorama, imagine o mesmo Jean-Marc casado com uma esposa que não o ouve (e nem o vê), duas filhas adolescentes para as quais ele tem tanta importância quanto um pé de couve e um trabalho num órgão público no qual ele passa o dia todo vigiado por uma superior implicante e ouvindo problemas dos mais terríveis possíveis dos munícipes que precisam de ajuda do Estado.
Quem nunca se viu em situações tão inóspitas quanto inevitáveis em que a única saída era deixar-se levar pela sua imaginação? É isso que Jean-Marc acostumou-se a fazer. Em suas fantasias ele pode ser e fazer o que quiser.
Com interpretação irrepreensível de Mark Labrèche e, de quebra, a participação do ícone-underground Rufus Wainwright, Arcand constrói uma crítica ácida ao consumo, às falsas aparências e à morte; nos divertindo durante o filme e incomodando depois dele.
Cotação (de 0 a 5): 5,0 - Manjar dos Deuses

Março 5, 2008 às 11:30 pm
o que seria uma quebéc do fim dos tempos. hmm, interessante!
Março 6, 2008 às 10:26 am
Mas o Rufus tá no filme ou na trilha? De qualquer forma, TENHO que ver.
E este universo todo absurdo me fez folhear de novo o “Sayonara Gangster´s”. Dentre outros, tem o Henrique IV, um gato que toma leite com vodca e quer ler as obras completas de Thomas Mann…
Março 6, 2008 às 10:38 am
Ah Daniel, não posso quebrar o encanto, mas o Rufus aparece sim!.
Eita, louco esse Sayonara Gangste’s hein!!