O Segredo do Grão: Um Cuscuz bem soltinho

Este texto bem que poderia estar no blog de comidas deliciosas de Rebeca Ukstin, o Tempero. Afinal, é em torno de um prato, o cuscuz, que se desenrola toda a trama de O Segredo do Grão, de Abdellaltif Kechiche, em cartaz em São Paulo.

Vencedor do Grande Prêmio do Júri no último Festival de Veneza e de quatro César – incluindo melhor filme – O Segredo do Grão é uma intensa e longa incursão no universo de uma família. Ou melhor, de duas. Em Séte, no litoral francês, às margens do Mediterrâneo, Slimane Beiji é um operário de 61 anos que perde o emprego após mais de 30 anos na mesma empresa. Ele, assim como muitos de seus vizinhos, imigrou para a França, décadas antes, em busca de melhores oportunidades.

Slimane possui a família “oficial”, que corresponde a sua ex-mulher, filhos, genros, noras e netos e a “extra-oficial”, composta por Karima, a dona do hotel onde ele mora, e a filha dela, Rym. Sem nunca ter assumido uma relação com a segunda, as mulheres de ambas as famílias se detestam. Sem emprego e sem perspectivas, é Rym que o ajudará a ter um novo objetivo na vida: montar um restaurante dentro de um barco e que servirá apenas um prato: o cuscuz.

Não faltam obstáculos em seu caminho. A prefeitura só libera o alvará com o empréstimo aceito pelo banco e o banco só o levará a sério com todos os documentos expedidos pela prefeitura. Apostando tudo em uma última cartada, Slimane recebe ajuda de toda a família, reforma o barco e prepara um banquete para 100 convidados ilustres com a intenção de que eles vejam o potencial de sua idéia e invistam no projeto.

Por duas horas e meia entramos no mundo das famílias de Slimane e nos tornamos íntimos de seus dramas, suas frustrações e suas esperanças. Durasse mais duas ou três horas e a sensação prazeirosa de convivermos com todas as personagens, por certo, ainda seria a mesma. Kechiche acerta nos ângulos, na direção de atores – a maior parte, amadores -, na trilha sonora, na tradução certeira da cultura árabe hoje tão presente em toda a Europa, em particular a França. Tivesse o neo-realismo um nome nos dias de hoje e ele seria Abdellatif Kechiche.

Cotação (0 a 5): 5,0 – Manjar dos Deuses

3 Respostas para “O Segredo do Grão: Um Cuscuz bem soltinho”

  1. eu sei fazer um manjar dos deuses…hum..
    olha fica uma delícia…rs

    qto ao cuzcuz eu prefiro soltinho tb…haha

    bjos

  2. eu assisti ontem e achei bem legal! destaque especial pra dança do ventre. hmm

  3. È, a cena da dança do ventre é mto boa. Ela sozinha resume o filme.

    Abs.

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