Mulheres: Vai um genérico de Sex and the City aí?
A comparação com o “filme feminino” do verão é inevitável, mas Mulheres – O Sexo Forte, que estréia dia 26 de setembro nos cinemas, também inspirou-se muito em outro filme para meninas: O Diabo Veste Prada. Com dramas de amor, muitas grifes e mais uma pitada (ou seria um punhado?) de auto-ajuda está pronta a receita que os estúdios americanos encontraram para repercutir o filme entre o público feminino.
Não que Mulheres tenha tido êxito. A estréia nas bilheterias americanas no último fim de semana foi modesta – um 4º lugar – e com as péssimas críticas que o filme obteve por lá é provavél que figure no final do Top Ten da próxima semana. Dá para entender o por quê, mas não sem uma ponta de tristeza, pois o filme reúne um bom elenco e boas intenções. Mas de boas intenções…
O longa é baseado em um filme de 1939 de George Cukor e também na peça teatral de Claire Boothe Luce, de 1936. Uma curiosidade: tanto no filme de Cukor, quanto no da estreante Diane English, todas as cenas são preenchidas por mulheres. Sim, em nenhuma cena – seja na rua, nas lojas de departamentos ou em qualquer outro lugar – aparece um homem.
A história gira em torno de Mary Haines (Meg Ryan – estupidamente linda), uma esposa perfeita que descobre que é traída com uma perfumista da Saks, personagem da supervalorizada Eva Mendes. As amigas da primeira farão de tudo para protegê-la e vingá-la, em especial Sylvie (Annette Bening), uma editora de moda às voltas em uma crise de vendagem de sua revista e que terá sua amizade com a protagonista colocada em cheque. Completam o grupo, mas com menos destaque na trama, Edie (Debra Messing, será que um dia vou perder o vício de assistir Will & Grace na cama?) e Alex (Jada Pinkett Smith), respectivamente, a parideira e a lésbica da história.
As atuações oscilam do natural ao over, muito em decorrência do texto, que ora solta pérolas e ora resvala num lugar-boboca-sentimentalóide-dignificante-comum de dar pena. A carinha de coitada de Meg Ryan (apesar de esforçada) continua a mesma, mas Candice Bergen, como a sua mãe, rouba a cena. A atriz já havia trabalhado antes com a diretora na série de tevê Murphy Brown. English é a criadora, produtora e roteirista da série.
Sim, algumas farpas lembram o melhor de O Diabo. Há um momento em que Sylvie, dirigindo-se à filha de cinco anos de sua amiga que grita no meio da loja, diz: Querida, preste bem atenção, pois essa informação você levará para a vida toda: Ninguém odeia a Saks. No entanto, o modelo “amigas em trapalhadas” remete mesmo à S&TC e fica tão raso e sem sal quanto o original. Neste caso, o genérico nem mais barato é.
Cotação (de 0 a 5): 3,0 – Arroz com feijão


Setembro 18, 2008 às 4:13 pm
Confesso que fiquei surpresa com a analogia que você fez entre “Mulheres – O Sexo Forte” e “O Diabo Veste Prada”. No mais, seu texto só fez confirmar a mínima vontade que eu tenho de assistir a este filme.