Dylan para poucos (de novo)

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Se você achou que o ingresso para o show do cantor norte-americano (até R$ 900 em SP,) era a única maneira de restringi-lo ao público, enganou-se. Bob Dylan continua inacessível. Só que agora nas telas de cinema.

Depois de shows disputadíssimos em São Paulo e no Rio, chega aos cinemas, nas mesmas cidades, Não Estou Lá, biografia do cantor dirigida por Todd Haynes.

O maior mérito do filme é o de não construir uma cinebiografia qualquer. Não espere por algo como Ray ou Johnny & June. Não há sentimentalismos ou emoções baratas, nem nada da linha “cantor prodígio – infância pobre – sucesso e fama – drogas e decadência”. Não. Todd Haynes já provou que sabe fazer uma cinebiografia com estilo. Em Velvet Goldmine (1998) ele conta a história da relação de David Bowie e Iggy Pop, sob os pseudônimos de Brian Slade e Curt Wild. Bowie não gostou das inúmeras alusões a sua vida e não liberou nenhuma canção sua para a trilha. Uma pena. O filme é sensacional.

É com pseudônimos que Haynes trabalha novamente. Só que desta vez são seis. E para o mesmo personagem. Para contar a vida de um ser tão complexo quanto Dylan, o diretor o dividiu em seis personagens, interpretados, entre outros, por Cate Blanchett, Richard Gere e Heath Ledger. É em Cate, no entanto, que concentrou-se a atenção do filme nos EUA. Ela interpreta o cantor em sua primeira excursão pela Inglaterra, em meados dos anos 60, no auge da carreira. Indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante neste ano pelo papel, é impossível ficar inerte a um trabalho tão minucioso que essa australiana realiza. Essa mulher faz rainhas, atrizes hollywoodianas, cantores… Com o que mais ela ainda pode nos surpreender?

Apesar do elenco, da trilha (cantada por gente como Sonic Youth, Cat Power e Karen O) e do modo original como resolveu homenageá-lo, Todd Haynes fez um filme para os fãs de Dylan. Não Estou Lá brinca com referências que só os aficcionados pela obra do cantor conseguem entender. Difícil manter a atenção nas suas mais de duas horas de duração. Se pudesse defini-lo em uma só palavra eu usaria hermético.

De qualquer forma, vamos esperar que este espírito inovador contagie diretores a apresentarem sob um novo olhar a vida dos seus biografados. Para o final deste ano e início do próximo estão prometidas às telas as vidas de Bob Marley, Marvin Gaye e Salvador Dali. Talento há de sobra nos personagens. Esperamos também dos diretores.

Cotação (0 a 5): 3,5 – Comidinha honesta

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2 Respostas to “Dylan para poucos (de novo)”

  1. Não consigo esquecer Cate Blanchett em “Sob o Efeito da Água”, apesar do filme não ser nada demais. Agora quero vê-la no papel do chatolino.

    E na onda biografias, ainda tem o “Control”, do Ian Curtis, com o pitéuzinho do Sam Riley

  2. Putz. Achei este filme um poooorre. Tá, não sou aficcionado por Bob Dylan, mas a palavra hermético é bem apropriada para o filme, que é também muito (sono)lento. Cate Blanchett de fato convence. Mas também, ela deve conseguir fazer até o papel do Maradona. abs.

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