Arquivo para abril, 2008

Nem com toda a boa vontade do mundo

Posted in Al dente with tags , , on abril 30, 2008 by claesen

Com tantas bandas e canções bacanas e deliciosas surgindo num ano que nem sequer chegou ao meio, é triste quando nos deparamos com uma surpresa nada digerível.

Scarlett Johansson, amada pelos fotógrafos de moda e respeitada por várias boas escolhas no meio cinematográfico, resolveu arriscar-se em outro metier. Isso por si só não é uma surpresa, já que seu álbum, Anywhere I Lay My Head, havia sido anunciado desde o ano passado.

A má notícia é que a loira não canta lá grandes coisas. A vontade que dá ouvindo a homenagem a Tom Waits, Falling Down – primeiro vídeo extraído do álbum -, é imitar Karen Walker (do extinto seriado Will & Grace) e simplesmente balançar a cabeça com ar de superioridade e dizer: No, Scarlett. No.

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Sim, o Oscar acerta às vezes

Posted in A la carte with tags , , on abril 27, 2008 by claesen

Este parece ser um bom ano para a música no cinema. Um ano com trilhas instrumentais poderosas como as de Desejo e Reparação e Sangue Negro, que devem entrar para a história. E 2008 também vai sendo marcado por ótimas canções originais. Primeiro foi Kimya Dawson com suas músicas delicadas para Juno, depois Norah Jones pontuando perfeitamente Um Beijo Roubado e agora chegam as canções de Once – Apenas Uma Vez.

O filme é uma produção irlandesa que despontou no circuito alternativo americano no final do ano. Dirigido pelo desconhecido John Carney, o longa é um musical moderno que conta uma história de amor. Quase todas as canções foram escritas por Glen Hansard e Markéta Irglová.

Glen é o Cara. Ele conserta aspiradores de pó numa loja com o pai e toca suas canções nas ruas de Dublin a troco de dinheiro. Markéta é a Garota. Ela imigrou da República Tcheca com a mãe e a filha e faz pequenos trabalhos para sustentar a casa.

Ele já sofreu muito por amor. Após o rompimento com a ex-namorada, pela qual foi traído, compôs as canções, que norteiam o filme. Um dia, ela o ouve e se sensibiliza com as suas letras doloridas, desesperadas, magoadas. Ela também tem um passado musical. Toca piano muito bem e rascunha algumas letras que compõe.

Através das ruas e do mar inóspito de Dublin, eles vão se descobrindo. Compondo, cantando e aprendendo a cicatrizar as suas feridas. Mas ele tem uma história não concluída. E ela também.

Há algumas pessoas que, no final de cada relação, escrevem um mero poema (como alguns jornalistas de sobrenome Claesen rs) e há outras que compõem sinceras e magníficas canções de amor. Como neste filme.

Aqui, a vencedora de melhor canção no Oscar 2008, Falling Slowly. E um dos filmes mais simples, mais encantadores e mais tristes do ano.

Cotação (de 0 a 5): 5,0 – Manjar dos Deuses

Bjork é alternativa até em comercial de shampoo

Posted in Petiscos with tags , , on abril 26, 2008 by claesen

Bem antes de impressionar o universo pop com seus vídeos exuberantes e até mesmo antes de lançar-se como cantora na extinta banda Sugarcubes (alguém se lembra do hit Deus, de 1988?), Bjork já era original até em comercial de tevê.

Dêem uma olhada neste anúncio de um condicionador da linha islandesa Glerbrot. Não se parece exatamente com aqueles comerciais da L’oreal ou da Seda, de artistas dubladas se esbaldando no chuveiro e depois balançando a cabeleira escovada. Até nisso Bjork é única.

Novo do MGMT é simples e certeiro!

Posted in Al dente with tags , on abril 23, 2008 by claesen

Oracular Spetacular, um dos sérios candidatos a álbum do ano, dos norte-americanos do MGMT, tem tantas canções bacanas que é difícil destacar alguma. Então, um boa maneira de falar de cada uma separadamente é quando a banda (e a gravadora, por supuesto) resolve lançar os vídeos para cada canção.

Chegou a vez de Electric Feel. Para muita gente, a melhor música do cd. Não espere nada muito elaborado do vídeo, além de uma brincadeira com as cores, tintas e uma garota fazendo caras e bocas no estilo Lolita. Já está ótimo até aqui!

Há mais DRTs saindo do forno – Parte 2

Posted in A la carte with tags , , on abril 21, 2008 by claesen

Outro ícone da música, Marianne Faithful, está em cartaz nas telas paulistanas. Se Um Beijo Roubado tem em seu pedigree participação no Festival de Cannes em 2007, Irina Palm tem Berlim.

O longa de Sam Garbarski conta a história de uma viúva, Maggie, moradora do subúrbio de Londres e com uma triste realidade: seu neto está com um doença gravíssima. O único tratamento factível é levá-lo à Austrália e o mais rápido possível. Caso contrário, não haverá mais chances. Tanto Maggie quanto seu filho e nora já esgotaram seus empréstimos possíveis em bancos e boa parte dos amigos e da vizinhança já fez sua contribuição.

Desorientada e com um único pensamento na cabeça – arranjar dinheiro – Maggie se vê dentro de um inferninho que continha um “procura-se atendentes” na porta. Conversando com Miklos, o dono do lugar, ela capta o eufemismo. Atendente, neste caso, não é exatamente uma recepcionista de videolocadora. A função? Masturbar os clientes através de um buraco na parede (os chamados ‘glory holes’) durante todo o dia.

O tempo corre e a viúva não exita muito. O dinheiro é necessário e se faz urgente. E a perspectiva de ganho de 600 a 800 dólares semanais é tentadora. O filho, as amigas e os vizinhos (e, ao lado destes estão duas das cenas mais deliciosas e engraçadas do ano e que só um filme passado na Inglaterra consegue ter) notam a sua ausência no bairro e na sua rotina de jogo de cartas e das visitas ao neto no hospital.

Mas Maggie está ocupada. Bastante ocupada e fazendo um bem à nação inglesa, como lhe diz uma de suas colegas de profissão. E agora ela já não é mais a viúva e careta Maggie e, sim, Irina Palm, a mão mais disputada e famosa do SoHo londrino. Filas de homens ávidos por um pouco de prazer formam-se no clube a sua espera.

Marianne Faithfull é uma atriz bissexta. Consultando seu perfil no site IMDb, você fica sabendo que ela foi a primeira pessoa a pronunciar a “f word” no cinema, em 1967. Ousadias, portanto, estão no cardápio desta cantora, famosa por seus versos em suas canções de rock, por sua conturbada relação com Mick Jagger no passado e, agora, quem sabe, por uma das interpretações mais singelas e corajosas do ano.

Todos sabemos que, para participar de um longa, é necessário tirar o registro profissional (no Brasil, chamado de DRT). Mas, se dependesse diretamente do mérito e talento para que cada profissional fosse registrado, Marianne honraria muito bem cada uma dessas letrinhas que lhe dão a alcunha de ATRIZ.

Cotação (0 a 5): 4,0 – Petit four

Sim, há mais DRTs saindo do forno – Parte 1

Posted in A la carte with tags , , , , , on abril 21, 2008 by claesen

De tempos em tempos, artistas de outras áreas aventuram-se na telona e obtêm grande êxito. Num passado recente, quem me vem à memória para melhor exemplificar isto é a islandesa Bjork. A cantora mergulhou quase ao limite da insanidade para compor sua conturbada e poética Selma, de Dançando no Escuro. Jurando nunca mais participar de um longa, depois da experiência com o “carrasco” Lars Von Trier, Bjork deixou-nos simplesmente com a melhor interpretação feminina do ano de 2000 (premiada com a Palma de Ouro em Cannes).

Dois outros ícones da música estão em cartaz atualmente e, se não tão viscerais quanto a islandesa, mostram que dão conta do recado muito bem. A primeira delas é Norah Jones. Cantora de voz macia, que embala romances nas novelas das oito globais e detentora de inúmeros Grammy, ela vive Elizabeth (ou Lizzie ou Beth) no mais recente longa de Wong Kar-Wai, Um Beijo Roubado.

Kar-Wai é um cineasta meticuloso que dá tanta atenção à fotografia e à trilha sonora quanto ao roteiro. Vendo os seus filmes você sempre fica em dúvida sobre o que está mais bem elaborado, de tão sofisticado que tudo lhe parece. Seu último longa, 2046, foi, na opinião do modesto dono deste blog, o melhor filme de 2006.

Um Beijo Roubado é sua primeira incursão na América. Tanto o título original – My Blueberry Nights – quanto o brasileiro, numa rara ocasião, traduzem perfeitamente o espírito do filme. Nele, Beth (ou Lizzie ou Elizabeth) é uma garota que atravessa o país para esquecer um amor. Entre Nova York, Memphis e Las Vegas, cruzam o seu caminho Jeremy (Jude Law, cada vez mais sexy e melhor ator), um dono de bar que reconhece as pessoas pelos pedidos e que também cura as feridas de uma relação desfeita; Arnie (David Strathairn), um policial alcoólatra inconformado com a separação de Sue Lynne (a estonteante Rachel Weisz) e Leslie (Natalie Portman, com a cara de Britney Spears), uma viciada em jogo perdida na relação de amor e ódio que mantém com seu pai.

A Lizzie (ou Beth ou Elizabeth) do final da história não é a mesma do começo. Todos os personagens têm um objetivo simples, o difícil é colocarem em prática o que desejam. No fundo, o que eles querem é se encontrar.

Wong Kar-Wai adaptou um antigo curta-metragem seu em homenagem à Norah Jones. Ele não escondeu de ninguém que o filme só existe por causa dela, sua inspiração máxima para compôr a personagem principal. Proibiu-a de fazer aulas de interpretação para que não lhe afetassem a naturalidade. A julgar pelo resultado, se a mesma resolver encarar um Actor’s Studio, não vão sobrar muitos papéis para as Kate Hudson e Gwyneth Paltrow da vida! Norah Jones brilha!

Cotação (de 0 a 5): 4,5 – Iguaria fina

A terceira idade também se diverte!

Posted in Al dente with tags , on abril 18, 2008 by claesen

Sim, já falamos de Lykke Li aqui.
Sim, este vídeo está em vários sites hoje.
Sim, já andam me cobrando por falar só de novidades e não dar atenção às bandas antigas (não é, Thiago Behrndt??)

Mas impossível não postar o novo vídeo desta sueca bacana que dá de dez na francesa Yelle, a favorita dos moderninhos. A canção se chama I’m Good, I’m Gone.

E é isso mesmo, Lykke Li. Bota essa velharada para se mexer porque esse povo é muito sedentário e só que saber de fila de farmácia e bingo na igreja!