Longe dela e perto do inexplicável

Em cartaz há três semanas em São Paulo, só agora pude ver Longe Dela, de Sarah Polley.

O longa foi arrebatando todos os prêmios dos críticos de melhor atriz para Julie Christie, passou pela Mostra Internacional de São Paulo e eu já havia lido uma boa resenha no blog bacana e divertido do meu amigo Heitor Jr, Não Me Mandem Cores.

A história fala de uma mulher, Fiona, que mantém um casamento baseado em respeito, cumplicidade e amor com o marido há quase 45 anos. Não é pouca coisa. Não mesmo. Mas Fiona começa a ter lapsos de memória, que vão aumentando gradativamente, o que faz com que ela e o marido, sempre unidos, procurem ajuda médica. Diagnóstico: Alzheimer.

É com extrema sensibilidade que a diretora Polley conduz esta história que não se precisa de muito QI para adivinhar o triste final. São os diálogos, a delicada trilha sonora e as interpretações primorosas que costuram um roteiro (indicado ao Oscar) bem amarrado e sem concessões.

Em sua estréia na direção, Polley, que ainda mantém sua carreira de atriz (O Doce Amanhã, EXistenZ, Minha Vida sem Mim) e assina a adaptação do roteiro, faz lembrar outro ator/diretor com um filme tão intenso e nostálgico do qual é diíficil sair ileso. Estamos falando de Clint Eastwood e As Pontes de Madison (1995).

Julie Christie, que já tem uma estatueta dourada em sua estante, perdeu o Oscar deste ano para a excelente Marion Cotillard. Não à toa, porém, ela havia levado antes muitos dos prêmios a que concorreu (inclui-se o Screen Actor’s e o Globo de Ouro). Seria fácil para uma atriz com este papel cair numa interpretação exagerada para nos fazer debulhar em lágrimas. Uma vez que a própria situação já é dramática o suficiente, atriz e diretora escolheram representar Fiona de uma maneira suave, porém não menos intensa. Irônica, mas não menos apaixonada.

Gordon Pinsent e Olympia Dukakis (ela também com um Oscar na estante) completam o time no mesmo tom de todo o filme: quando o menos é mais. Como não se emocionar com os olhos de Grant (Pinsent) vendo a mulher que ama e amou por toda a vida esquecendo-se dele e, pior, interessada em outra pessoa? Sabendo que o passado que têm em comum será lembrado apenas por ele? Carregando uma dor advinda do mais puro e nobre sentimento que já teve por alguém que é o amor verdadeiro?

Difícil conseguir filosofar ou explicar o que é o amor, mas Sarah Polley chega muito perto disso.

Cotação (0 a 5): 4,5 – Iguaria fina

Anúncios

Uma resposta to “Longe dela e perto do inexplicável”

  1. Welton Trindade Says:

    Esse parece então ser um dos filmes com uma das piores armas de impacto emocional: a delicadeza.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: