Peter Brook para todos!

Você entra na escola de teatro e o nome de Peter Brook ecoa pelos corredores e aulas de história: o homem que dirigiu Marabharata no cinema e responsável por algumas das encenações mais perfeitas das peças de Shakespeare. Enfim, uma lenda.

Fragments, que ele trouxe a São Paulo e fica em cartaz até hoje (com ingressos esgotados), no Sesc Santana, mostra que o homem sabe o que faz.

São quatro esquetes, daí o título do espetáculo, de Samuel Beckett. “Rough For Theatre I” mostra dois párias da sociedade numa inter-relação de solidão e esperança. O público ri nos momentos cômicos, mas engasga quando um deles, o cego, diz para o outro, o aleijado, o por quê de não ter dado cabo de sua vida até então, “I’m not unhappy enough.”

O segundo, “Rockaby”, é um monólogo em que a atriz repete o mesmo texto, com apenas a variação de suas entonações que são, gradativamente, cada vez mais angustiadas. A solidão é a tônica dominante mais uma vez. Você se lembrou de Brenda Blethyn em Segredos e Mentiras com seu suburbano e melancólico dia-a-dia? À cena técnica e milimetricamente construída fundem-se a vigorosidade e a intensidade da atriz tornando-a a mais difícil, mas a mais bela do espetáculo.

“Act Without Words II” não tem palavras, apenas esboço de algumas. Um teatro físico, com referências a Grotowski, toma conta da cena. Um exemplar exercício de atores, ela ganha a cumplicidade do público, logo de início, encantado com a precisão dos gestos e a comicidade da situação.

Com “Come and Go”, a mais curta delas, fecha-se o ciclo, evocando a repetição do texto, como na segunda, e o jogo com a platéia, como na anterior. Os três atores do espetáculo agora estão juntos e, se um ou dois são bons, o trio, unido, é melhor ainda.

O teatro de Peter Brook encanta sem precisar de grandes cenários, adereços ou trilha sonora elaborada. E eu, que achava que só bons efeitos de “peças cinematográficas” faziam valer o valor do ingresso hoje em dia, deixo-me seduzir por uma das mais ancestrais maneiras de se fazer teatro: bem feito.

Cotação (0 a 5): 4,0 – Petit four

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Uma resposta to “Peter Brook para todos!”

  1. Welton Trindade Says:

    Putz, obrigado mesmo por te me deixado com vontade de ver uma peça que sai de cartaz hoje. rs

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