Nome próprio: Leandra

Leandra Leal é uma atriz sui generis. De família teatral, estreou na profissão aos sete anos no último capítulo de Pantanal. Depois da novela, a moça fez uma porção de filmes prestigiados, espetáculos, trabalhos na Globo e produziu shows de gente conceituada. Há três anos, Leandra, muito bem estabelecida, deixou o Rio para fazer faculdade em São Paulo. Com esse mesmo desprendimento, ela encarou a protagonista de Nome Próprio, em cartaz nos cinemas.

O filme, dirigido por Murilo Salles, é inspirado nos textos da escritora e blogueira Clarah Averbuck. Na tela, Leandra Leal é Camila, uma brasiliense morando na capital paulista. Blogueira compulsiva, alcoólatra, apaixonada, intensa, indomável, irascível. Camila não mede as conseqüências do que fala, tampouco se arrepende. Se os amigos de Brasília vão ficando pelo caminho, o prazer de escrever ela não perde. É no blog que revela suas contradições e aspirações, onde sua vida faz sentido.

Impossível falar de Nome Próprio sem o monopólio de Camila, pois ela é o filme. Murilo Salles, famoso por Como Nascem os Anjos (1996) revisita a “descolândia paulistana” de Seja o que Deus Quiser (2003), seu último trabalho. A câmera viaja ora em planos abertos, ora na mão, perscrutando os poros de Camila com super closes – não os de estilo televisivo e burocráticos, como em Olga, mas poderosos, que nos tornam cúmplices dela, por mais que isso nos deixe desconfortáveis. A montagem atrapalha a direção segura, deixando o filme arrastado em vários momentos.

Leandra, como se já não soubéssemos, demonstra não ter medo de nada. Defende Camila sem pudores. Neste tipo de (des)construção não há meio termo e ela acerta em cheio. Se em sua estréia na telona (A Ostra e o Vento, 1997) emplacou uma das cenas mais sensíveis do cinema brasileiro, agora ela pega o touro à unha e crava um grande momento de sua carreira.

Cotação (de 0 a 5): 4,0 – Petit four

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3 Respostas to “Nome próprio: Leandra”

  1. Margarete Says:

    nem tava pensando em ver o filme…mas agora deu vontade. Bjo

  2. oi márcio. eu vi ontem e achei total piegas e provinciano. das frases estampadas na tela às músicas escolhidas como trilha, as cenas de sexo feias, os lugares escolhidos pras cenas. desculpa quem nao for de sp, nada contra. mas é muito história de gente que chega deslumbrada com o dinamismo da cidade, a proximidade com cena artistica, bla bla. o mundo nao é aqui. Cotação (de 0 a 5): 0,0 bobagem.
    abraço.

  3. Oi Thiago,

    Sobre SP, não vi nada de errado. Pelo contrário, eu acho que ele quis dar uma idéia geral de qq gde cidade e deu. Não é um “filme paulista” como os do Ugo Giorgetti, por ex. É um filme que poderia se passar no Rio, Porto Alegre ou qq outra. Pra mim, o defeito maior do filme é ser arrastado. Algumas cenas são muito looonnngas e outras desnecessárias.

    Mas entendo quem não gosta do filme.

    Abs.

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