Uma Garota Dividida em Dois: Noir insípido

A respeito de Uma Garota Dividida em Dois vou usar a frase de uma grande amiga minha, Margarete Pinto, que diz “Claude Chabrol me cansa”. Sabemos que ele é um nome importante do cinema francês, responsável por filmes muito bem construídos como Ciúme – O Inferno do Amor Possessivo, Mulheres Diabólicas e Madame Bovary. Pelo menos, assim achava eu quando os vi nos anos 90. Isso sem falar de um passado mais remoto, quando o ex-crítico de cinema virou cineasta e lançou – com Nas Garras do Vício – um dos movimentos mais importantes da cena no século 20, a Nouvelle Vague

No entanto, está difícil se empolgar com algo de Chabrol nesta década. Até agora me pergunto o que fez a crítica receber tão bem A Dama de Honra e Comédias do Poder. Filmes enfadonhos que desperdiçam uma boa premissa e um ótimo elenco. Não é tão diferente de Uma Garota, seu mais recente trabalho.

Não demora muito para que você perceba que o título tampouco faz sentido. Gabrielle (Ludvigne Sagnier, cada vez mais bela) sente-se atraída de imediato pelo escritor décadas mais velho do que ela, Charles St. Denis (François Berléand, com um ar de cinismo imbatível). É dele seu coração, seu corpo, seus sonhos. O bon-vivant Paul Gaudens (Benoit Magimel) é, desde o início, apenas um apêndice em sua história. Um belo e aristocrático apêndice, é verdade. O rapaz tanto insiste que Gabrielle casa-se com ele no velho esquema de esquecer uma paixão com um casamento e uma viagem. Mas os problemas não se resolvem e não é exatamente um ‘foram felizes para sempre’ o que acontece após o casamento.

Ludvigne Sagnier volta a um papel que oscila de angelical à pura perversão, como em Swimming Pool, de François Ozon. Arrebatadoramente sexy. Todo o elenco funciona, se não fosse o roteiro previsível e a direção sem imaginação, com ares de um noir cínico e decadente, mas sem charme algum. No final, concordo com as idosas ao meu lado (e maioria no cinema) saindo da sala: ele já fez coisas melhores, não é, Ruth? É, elas devem saber do que estão falando.

Cotação (de 0 a 5): 3,0 – Arroz com feijão

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3 Respostas to “Uma Garota Dividida em Dois: Noir insípido”

  1. Primeiramente queria reverenciar este Blog. Muito bom. Sou editor e responsável pelo blog Cultura Nordestina: http://culturanordestina.blogspot.com/, nele divulgo os diversos ramos de nossa cultura popular nordestina e brasileira. Gostaria de saber se é possível adicionar meu blog em sua seção de links. De antemão já agradeço a atenção. Aguardo retorno. Obrigado.

  2. ahaahahah… ainda não vi. Tirarei minhas conclusões, mas quanto ao seu texto, adianto que é lindo!!

  3. weltontrindade@gmail.com Says:

    É delício ler seus textos, aprender com seu conhecimento e rir com suas estripulias adeqüadas.

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