Encarnação do Demônio: Só para amantes do gênero

Mulheres nuas, sadismo, magia negra e muito, muito sangue. Todos os ingredientes estão lá mais uma vez no novo filme do Zé do Caixão, Encarnação do Demônio, que estréia nesta sexta-feira – 08/08/08 – data escolhida a dedo pelo diretor.

Mais de quarenta anos depois, José Mojica Marins completa a trilogia iniciada com À Meia-Noite Levarei sua Alma (1964) e seguida por Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver (1967). Segundo José Mojica, foram mais de quarenta anos de luta tentando viabilizar o filme. “Retrato um Zé humano, perseguido pelos fantasmas das pessoas que ele matou, o que significa que ele tem consciência do que fez”, define Mojica, sobre o personagem que é muitas vezes confundido com ele próprio.

Com uma produção caprichada, Encarnação do Demônio mostra Zé do Caixão de volta às ruas, após passar 40 anos preso. Sua missão é uma só: encontrar a mulher que possa gerar seu filho perfeito. Zé instala-se numa favela da periferia de São Paulo e, no meio do banho de sangue que provoca, encontra-se espaço no filme para criticar o extermínio de pessoas inocentes feito por policiais militares – algo comum nos noticiários das grandes cidades.

Mojica, que acumula também a função de direção, extrai boas performances de Luiz Mello e Jece Valadão, este em seu último trabalho. Interpretações mais histriônicas aparecem aqui e ali como a de Milhem Cortaz, que parece ter se inspirado em personagem parecido de Código da Vinci. O tom do filme, como de costume no gênero, resvala no cômico. Em outras vezes, no grotesco; especialmente nas seqüências – gratuitas – de auto-imolação de atores que são costurados ou alçados por ganchos colocados em suas próprias peles. Se esta é a “Bíblia do Terror” como o diretor proclamou, esperemos pela Torá e o Alcorão do gênero.

Cotação (de 0 a 5): 1,0 – Azedou

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3 Respostas to “Encarnação do Demônio: Só para amantes do gênero”

  1. Fico feliz q Mojica tenha preservado sua ironia, e seus personagens histrionicos, marcas de seu cinema desde a decada de 60, afinal até pra fazer medo nós brasileiros precisamos rir um pouco, e isso Mojica sabe fazer…para um diretor tido como maldito, marginalizado em seu proprio país, ele conseguiu se manter unico, com seu cinema fantastico, visceral, com cenas que deixam qualquer bosta como Jogos Mortais no chinelo

  2. Alexandro Megás Says:

    Tenho até medo do que está por vir depois disso!!!RsRs

  3. quando vi o trailer deste filme, não acreditei. mesmo beirando ao tosco, fiquei fascinado pela temática crua do filme. não conheço os demais, mas confesso que a imaginação deste zé ninguém me cutucou.

    também vi semelhanças com aquele “jogos mortais”, seriam brincadeiras adotadas do filme já conhecido por todos? talvez, não dúvido. que seja trash e ruim, às vezes o popular incomoda.

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