Violência Gratuita: Haneke refilma seu jogo de horror

Não são de fácil digestão os filmes de Michael Haneke. Sim, ele é esquisito. Nenhum filme dele te deixa numa situação cômoda ou confortável. Não é por isso, também, que eles sejam obras-primas. Seu mais recente, Violência Gratuita, não foge à regra.

Violência Gratuita é um remake de um filme dele mesmo, com a diferença do primeiro ter tido produção austríaca e, o mais recente, americana. Inclusive cenários e ângulos de câmera são os mesmos. Quando Gus Van Sant fez isso com Psicose (1998), realizando o mesmo filme do mestre Hitchcock quarenta anos depois, até podemos compreender se ficarmos com a palavra “homenagem” na cabeça, mas refilmar o próprio filme da mesma maneira, parece-me uma incrível falta do que contar.

Havia visto a primeira versão de Violência na Mostra Internacional em 1997. Chocou-me muito, é verdade, mas eu não precisava de uma versão americana do filme hoje para conseguir refletir sobre ele. Bastaria alugar a cópia do filme original. Na trama, um casal (Naomi Watts e Tim Roth – ótimos sempre) e seu único filho chegam a sua casa de veraneio para o início de suas férias. Em suas vidas aparece uma estranha dupla loira: Paul (Michael Pitt) e Peter (Brady Corbet). Aparentemente inofensivos, eles irão se divertir fazendo um macabro e perigoso jogo físico e intelectual com a família.

Se Naomi e Roth mantém o padrão de interpretações dilacerantes, o maior destaque aqui é Michael Pitt. Com 27 anos, o loirinho especializa-se em personagens controversos, não tem medo de cenas polêmicas e invariavalmente está em ótimas produções. Veja-o em Hedwig and the Angry Inch (2001), Bully (2001), Os Sonhadores (2003) e Last Days (2005). Ele está também nos próximos filmes de Oliver Stone e Abel Ferrara. Seu desconcertante vilão Paul é de longe onde o filme mais ganhou em relação à versão anterior.

Violência não tem a força de A Professora de Piano (2001), mas pelo menos é bastante superior a Cachê (2005), na minha opinião, uma das produções mais superestimadas pelos críticos naquele ano. Então, vista o casaco, tome um Dramin – para não enjoar – e prepare-se para as quebras dos convencionalismos de Haneke. Mesmo que você já pudesse ter feito isso 11 anos atrás. O filme estréia dia 19 de setembro.

Cotação (de 0 a 5): 3,5 – Comidinha honesta

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5 Respostas to “Violência Gratuita: Haneke refilma seu jogo de horror”

  1. Eu também acho que “Caché” foi um dos filmes mais superestimados dos últimos anos. Não assisti ao filme original, mas quero ver este remake, até porque gosto muito da Naomi Watts.

  2. Caro Sr.blogger,
    eu sei q conseguir ingressos pro show da Madonna tomou muito do seu tempo semana passada (dormir ao relento na fila, enfrentar cambistas etc), mas…cadê novos posts??!! Humpf
    (bjo)

  3. Michael Haneke Says:

    sério que acha Caché menor? Não frequento esse blog, mas pelo jeito tu não entende de cinema, certo? É um blog de alguém que gosta de ver filmes e pronto, isso?

    ah, saquei pelas postagens anteriores e novas, ali em cima. É só uma opiniãozinha… ok, que seja

    bon filmes

  4. Meu caro, se até Cidadão Kane que é considerado por muitos críticos como o melhor filme de todos os tempos não é unanimidade, não é Caché que seria, certo?

    Bons filmes para você também.

  5. Renzo Mora Says:

    Concordo com as duas opiniões: Caché é overrated pra cacete e o Pitt – grande ator – entrega um retrato do mal assustador.
    A versão americana, mais do que falta de inspiração, é uma tentativa (legítima, na minha opinião) de levantar um troco no mais importante mercado consumidor de cinema do mundo, reconhecidamente refratário à legendas.
    Eu quase embarquei nessa obrigação de adorar o Caché (parecia que eu era o único burro do planeta que achou o filme meia-bomba), mas sobrevivi.
    Abraços
    Renzo Mora
    http://renzomora.wordpress.com/

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