Queime Depois de Ler: Personagens à beira de um ataque de nervos

Osbourne Cox é um agente da CIA que perde o emprego. Ele tem um casamento burocrático com Katie “uma vaca fria e egocêntrica”, segundo a mullher de Harry. Quem é Harry? Um investigador que tem o hábito de correr vários quilômetros após transar. E ele transa muito, já que é casado com Sandy, tem caso com Katie e conhece Linda. Linda who? Linda Litzke, uma recepcionista quarentona de academia que precisa a todo custo levantar os seios e fazer outras três cirurgias para que “não apenas os loosers olhem para mim”. Palavras dela, ok? Ela encontra informações confidenciais de Cox, que partiram de Katie e entrega nas mãos de Chad, um personal trainner, que poderia ser muita coisa na vida, menos um chantagista ou um espião, papéis que irá desempenhar em conluio com Linda.

Achou confuso? Meia hora depois você já se envolveu nas tramas de Queime Depois de Ler, novo longa dos irmãos Joel e Ethan Coehn, apresentado pela primeira vez em São Paulo na Mostra Internacional de Cinema nesta sexta. Conciliar violência, uma trama de espionagem e humor negro é uma combinação bastante delicada, mas não para eles. Reverenciados pelo cult Gosto de Sangue (1984), de lá para cá alternaram-se entre comédias adultas excepcionais, como O Grande Lebowski (1998) e dramas pesados, como Onde Os Fracos Não Têm Vez (2007). Não foi difícil unir estes ingredientes e fazer de Queime Depois de Ler um filme encantadoramente sufocante.

À certa altura, o ex-agente da CIA já está andando às ruas com uma machadinha nas mãos, sua esposa Katie quase estrangulando uma criança no consultório (ela é médica), Harry continua sendo msiteriosamente seguido – com uma trágica consequência a caminho – e Linda vai parar na embaixada russa num ato desesperado para ainda tentar fazer as suas plásticas.

Brad Pitt, o avoado Chad, tem mais uma vez um bom desempenho num papel quase debilóide como em Snatch – Porcos e Diamantes (2000), George Clooney e Tilda Swinton repetem a boa dobradinha de Conduta de Risco (2007) e Frances McDormand, bem, faz jus à última mulher de diretor no mundo que estaria no elenco por ser mulher do diretor. Não é à toa ela ser venerada pelos colegas de profissão.

Trilha sonora e montagem espertas, provando que mesmo fazendo um filme apenas para diversão, os Coehn fazem bem feito.

Cotação (de 0 a 5): 4,5 – Iguaria fina

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3 Respostas to “Queime Depois de Ler: Personagens à beira de um ataque de nervos”

  1. Eu achei seu texto de uma eficácia banal…senti falta do seu olhar sobre o filme…menos instrumental…talvez mais filosófico. Isso da peso…o resto podemos ver nas entrelinhas de qualquer sinopse de jornal…
    Bjo!

  2. Infelizmente não tive tempo de escrever nada “filosófico” em meia hora entre uma sessão e outra.

    Agora, você sempre pode exercer seu direito de ficar apenas com as entrelinhas do jornal, ou quem sabe, oferecer aqui mesmo o seu próprio olhar sobre o filme.

    O espírito colaborativo de um blog serve também para isso.

    Abs.

  3. Que legal que gostou do filme. Sou muito mais fã das comédias dos Coen do que de filmes mais densos dirigidos pelos irmãos. Acho que “Burn After Reading” vai marcar presença em premiações como o Globo de Ouro.

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