Arquivo para Charlie Kaufman

Melhores do Ano no Cinema

Posted in Buffet variado with tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , on janeiro 3, 2009 by claesen

Apesar do Digestão ainda não ter completado um ano, o meu Claesen Awards para os melhores do cinema existe há bastante tempo.  Difícil para um cinéfilo não sair do cinema sem dar estrelinhas para um filme, sem elencar mentalmente as melhores qualidades do que acabou de assistir e também fazer, no final do ano, uma lista com o que de melhor viu e compará-la com a de outros cinéfilos e com os prêmios americanos.

Dezenas de anotações depois, mais de uma centena de filmes vistos, eis os melhores do ano divididos em 21 categorias, a maioria delas inspirada no Oscar, acrescidas de mais quatro que sempre gostei de fazer:

 MELHOR FILME

  • Do Outro Lado
  • Gomorra
  • O Segredo do Grão
  • Sinédoque, Nova York
  • Sweeney Todd

     O MELHOR FILME

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      Sinédoque, Nova York

MELHOR DIRETOR

  • Abdellatif Kechiche (O Segredo do Grão)
  • Charlie Kaufman (Sinédoque, Nova York)
  • Fatih Akin (Do Outro Lado)
  • Matteo Garrone (Gomorra)
  • Tim Burton (Sweeney Todd)

O MELHOR DIRETOR

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        Charlie Kaufman

 

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

  • A Era da Inocência
  • Do Outro Lado
  • O Segredo do Grão
  • Queime Depois de Ler
  • Sinédoque, Nova York

O MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

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Sinédoque, Nova York

 

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

  • Desejo e Reparação
  • Gomorra
  • Longe Dela
  • Onde os Fracos Não Têm Vez
  • Sweeney Todd

        O MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

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Desejo e Reparação

 

MELHOR ATOR

  • Daniel Day-Lewis (Sangue Negro)
  • Johnny Depp (Sweeney Todd)
  • Marc Labreche (A Era da Inocência)
  • Philip Seymour Hoffman (Sinédoque, Nova York)
  • Sam Riley (Control)

                                                                                                 O MELHOR ATOR

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Johnny Depp

 

MELHOR ATRIZ

  • Anne Hathaway (O Casamento de Rachel)
  • Ellen Page (Juno)
  • Helena Bonham-Carter (Sweeney Todd)
  • Julianne Moore (Ensaio Sobre a Cegueira)
  • Leandra Leal (Nome Próprio)

A MELHOR ATRIZ

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Julianne Moore

 

MELHOR ATOR COADJUVANTE

  • Brad Pitt (Queime Depois de Ler)
  • Heath Ledger (Batman – O Cavaleiro das Trevas)
  • Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez)
  • Ralph Fiennes (A Duquesa)
  • Tommy Lee Jones (Onde os Fracos Não Têm Vez)

O MELHOR ATOR COADJUVANTE     

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Heath Ledger

 

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

  • Frances McDormand (Queime Depois de Ler)
  • Romola Garai (Desejo e Reparação)
  • Rosemarie DeWitt (O Casamento de Rachel)
  • Samantha Morton (Sinédoque, Nova York)
  • Sandra Corvelone (Linha de Passe)

      A MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

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Samantha Morton

 

MELHOR SEQUÊNCIA DRAMÁTICA

  • A explosão de gás (Sangue Negro)
  • Dança do ventre (O Segredo do Grão)
  • Primeiro dueto (Once – Apenas uma Vez)
  • Rock’n’Roll Queen (Rocknrolla)
  • Sequência final (Hanami – Cerejeiras em Flor)

A MELHOR SEQUÊNCIA DRAMÁTICA    

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Hanami – Cerejeiras em Flor

 

MELHOR SEQUÊNCIA CÔMICA

  • Dancing Queen (Mamma Mia!)
  • Esclarecimento para as amigas (Irina Palm)
  • Loja de tortas (Sweeney Todd)
  • Primeira punheta (Irina Palm)

A MELHOR SEQUÊNCIA CÔMICA

Sweeney Todd

 

ATOR MAIS GOSTOSO

  • Brad Pitt (Queime Depois de Ler)
  • James McAvoy (O Procurado)
  • Jason Lewis (Sex and the City – O Filme)
  • Tom Hardy (Rocknrolla)
  • Will Smith (Hancock)

   O ATOR MAIS GOSTOSO

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Tom Hardy

 

ATRIZ MAIS GOSTOSA

  • Angelina Jolie (O Procurado)
  • Ludvigne Seigner (Uma Mulher Dividida em Dois)
  • Natalie Portman (Um Beijo Roubado)
  • Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)
  • Rachel Bilson (Jumper)

           A ATRIZ MAIS GOSTOSA

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Angelina Jolie

 

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

  • Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • Desejo e Reparação
  • Elizabeth – A Era de Ouro
  • Sinédoque, Nova York
  • Sweeney Todd

          A MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

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Sweeney Todd

 

MELHOR FOTOGRAFIA

  • Ensaio Sobre a Cegueira
  • Gomorra
  • Onde os Fracos Não Têm Vez
  • Sweeney Todd
  • Um Beijo Roubado

A MELHOR FOTOGRAFIA

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Um Beijo Roubado

 

MELHOR FIGURINO

  • A Duquesa
  • Desejo e Reparação
  • Elizabeth – A Era de Ouro
  • Sex and the City – O Filme
  • Sweeney Todd

       O MELHOR FIGURINO

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Elizabeth – A Era de Ouro

 

MELHOR MONTAGEM

  • Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • Desejo e Reparação
  • Gomorra
  • Onde os Fracos Não Têm Vez
  • Sinédoque, Nova York

     A MELHOR MONTAGEM

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Onde os Fracos Não Têm Vez

 

MELHOR TRILHA SONORA

  • Desejo e Reparação
  • Once – Apenas Uma Vez
  • Rocknrolla
  • Sinédoque, Nova York
  • Sweeney Todd

     A MELHOR TRILHA SONORA

Desejo e Reparação

 

MELHOR CANÇÃO

  • “Falling Slowly”, Glen Hansard & Markéta Irglová (Once – Apenas uma Vez)
  • “If You Want Me”, Glen Hansard & Markéta Irglová (Once – Apenas uma Vez)
  • “I’m a Man”, Black Strobe (Rocknrolla)
  • “Tire Swing”, Kimya Dawson (Juno)
  • “When Your Minds Made Up”, Glen Hansard & Markéta Irglová (Once – Apenas uma Vez)

     A MELHOR CANÇÃO

“Falling Slowly” – Once – Apenas uma Vez

MELHOR SOM

  • Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • Gomorra
  • Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal
  • Onde os Fracos Não Têm Vez
  • Sweeney Todd

   O MELHOR SOM

Batman – O Cavaleiro das Trevas

 

MELHORES EFEITOS VISUAIS

  • Batman – O Cavaleiro das Trevas
  • Hancock
  • Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal
  • Jumper
  • O Procurado

        OS MELHORES EFEITOS VISUAIS

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

 

MELHOR DOCUMENTÁRIO

  • Eu Sou Porque Nós Somos
  • Fumando Espero
  • Patti Smith – Sonho de uma Vida
  • Shame

         O MELHOR DOCUMENTÁRIO

shame

Shame 

Balanço geral

No final das contas, os favoritos foram:

Sinédoque, Nova York que ficou com 4 prêmios de suas 8 indicações;

Sweeney Todd com 3 de 11 indicações;

Batman – O Cavaleiro das Trevas com 2 de  5 indicações;

e Desejo e Reparação com 2 de 5 indicações.

Um ano com vários bons roteiros originais, excelentes atrizes (tanto entre as protagonistas como entre as coadjuvantes inúmeras boas ficaram de fora) e uma dúzia de trilhas sonoras inesquecíveis –  tão díficil quanto escolher as cinco finalistas foi ter optar por uma delas, mas creio que a de Desejo e Reparação inscreve-se na história do cinema mundial e não podia passar em branco.

É isso. Desejo a todos um 2009 abarrotado de filmes incríveis e inesquecíveis para cada um!

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Mais da Mostra: O retorno de Guy Ritchie (Rocknrolla), a decepção chilena (La Buena Vida), os inferninhos de São Paulo (Se Nada Mais Der Certo) e a realidade delirante e deslumbrante de Kaufman (Synédoque, Nova York)

Posted in A la carte with tags , , , , , , , , , , , , , , , on outubro 24, 2008 by claesen

Tentar acompanhar as coisas mais interessantes da Mostra de SP é difícil. Uma aposta errada aqui, outro filme que sabe que vai estrear (mas não tem paciência para esperar) ali e chegamos ao final da primeira semana. Entre a perversão violenta da filha de David Lynch (Sob Controle), um perfil dos atores que se fantasiam na calçada da fama em troca de gorjetas (Confissões de Super-Heróis) e uma das constatações mais atuais sobre as relações de pais e filhos (Hanami), separei alguns títulos para falar um pouco.

SE NADA MAIS DER CERTO

O diretor José Eduardo Belmonte já havia flertado com as drogas e o discurso político-social em seu longa de estréia, o difícil e interessantíssimo A Concepção (2005). Agora, o diretor brasiliense traz as suas lentes do Planalto Central para o underground paulistano em Se Nada Mais Der Certo.

Com câmera na mão e cores estouradas nas imagens em que seus personagens circulam pelas ruas e pelos inferninhos, algumas cenas são desconfortáveis, lembrando Irreversível (2002), de Gaspar Noé. Mais à frente, você consegue entender que os personagens estão tão perdidos nesta megalópole que não é necessário definir tanto os lugares ou as imagens. Leo (Cauã Reymond) é um jornalista que veio de Brasília e vê tudo dar errado em São Paulo. Nada pode ficar pior do que está, certo? Errado. Para Leo sempre fica um pouco pior. Em sua vida, pelas boates da Rua Augusta ou em seu apartamento na Avenida Nove de Julho, cruzam-se Marcin (Caroline Abras, numa atuação excepcional), um traficante que ainda não se definiu de gênero; Angela (Luiza Mariani), uma anoréxica com um filho pequeno que ainda não descobriu o que fazer da vida para ganhar dinheiro e Wilson (João Miguel), um taxista sofrendo de depressão profunda. Todos com muitas contas pra pagar. Envolvem-se num plano que pode ser a salvação de todos, mas será que alguém consegue sobreviver na asfixiante e devoradora São Paulo? Alternam-se diálogos bem construídos com algumas cenas mal preparadas, mas a sequência do assalto usando máscaras de FHC e Sarney com debate entre Lula e Alkmin rolando pela tevê é, no mínimo, muito bem idealizada. A vitória no Festival do Rio parece um pouco exagerada, mas Belmonte tem muita coisa a discutir e vale a pena prestar atenção nele.

Cotação (de 0 a 5): 4,0

LA BUENA VIDA

Santiago, capital do Chile, é bastante explorada em suas ruas no longa do diretor Andrés Wood, La Buena Vida. Em seu filme anterior, Machuca (2004), considerado excelente por boa parte das pessoas, para mim faltava alguma coisa. Era como se você fosse apresentado a uma elaborada e emocionante história, mas não conseguisse se envolver com a mesma. De qualquer forma, haviam tantas qualidades que não poderia deixar de considerá-lo muito bom (mas não excelente). Agora, o problema piora em La Buena Vida.

Vários personagens têm suas vidas (mal) entrelaçadas na capital chilena. Ao som de uma trilha que, desnecessariamente, sublinha e coloca em negrito os sentimentos dos personagens, conhecemos Teresa, uma psicóloga que fala de sexo seguro para as prostitutas, mas não consegue se relacionar com a própria filha, que engravida aos 15 anos; Edmundo, um cabeleireiro sufocado pela mãe, que não consegue se envolver com ninguém e Mário, um clarinestista obcecado com a idéia de entrar para a Filarmônica. As interpretações, em sua maioria, são distantes e não criam nenhuma empatia – a do músico lembra Ben Whishaw, o insípido protagonista de O Perfume (2006). Com o propósito de discutir os anseios dos personagens, o filme fica bastante à margem disso e você, como um tapa na cara que um dos personagens recebe em certo momento e nem se apercebe do tamanho do ato, sai ileso.

Cotação (de 0 a 5): 2,5

ROCKNROLLA

É irônico lembrar que Guy Ritchie, um cineasta promissor, afundou-se profissionalmente logo após casar-se com Madonna e, justamente uma semana depois do fim da relação de quase oito anos, ele volte à boa forma. Sim, Rocknrolla tem todos os ingredientes dos filmes de Ritchie. Anos depois, o cineasta retorna com suas doses certas de sarcasmo, violência, drogas e submundo londrino.

Com uma narração em off, somos apresentados aos diversos personagens que só têm um único interesse: dinheiro. Mr. One Two (o bonitão Gerard Butler, de 300) e sua Quadrilha Selvagem tentarão passar a perna no poderoso Lenny (Tom Wilkinson, sempre ótimo) que está envolvido com a máfia russa e possui um enteado junkie e rock star que finge estar morto para vender mais discos. A contadora Stella (a linda Thandie Newton, de Crash) é peça chave no esquema fraudulento. Interessante notar que cenas calmas estão intercaladas com as cenas violentas, quando estas aparecem, produzindo um efeito dilacerantemente bom. Ao som de Rock’n’roll Queen, dos Subways, está uma das mais eletrizantes delas. No fim, Rocknrolla é mais do mesmo de Guy Ritchie: tudo o que ele sabe fazer de melhor está de volta. E para quem leu a recente biografia de Madonna, de Lucy O’Brien, e estava torcendo o nariz para Ritchie por conta de sua homofobia latente, um aviso: irão se surpreender.

Cotação (de 0 a 5): 4,0

SINÉDOQUE, NOVA YORK

Foi com pé atrás que adentrei à sessão de Sinédoque, Nova York. Pelos corredores da Mostra falava-se da linguagem difícil do filme, do nonsense, de você se sentir burro ou idiota vendo um filme que não parece ter sentido. Se Charlie Kaufman não fosse um roteirista – e agora cineasta – ele seria psquiatra. A pergunta que fica após o seu filme é: ou ele tem uma mente anos-luz à frente da humanindade (e daí explicaria-se o seu reconhecimento como criativo e genial roteirista) ou ele tem uma compreensão mais profunda e elaborada do ser humano do que a média (daí minha referência à psquiatria).

Depois de assinar roteiros premiados (Quero Ser John Malcovich, Adaptação e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, entre outros), Kaufman estréia na direção com uma história escrita por ele e, na minha opinião, a sua obra-prima. Caden (Philip Seymour Hoffman) é um dramaturgo hipocondríaco que vê, atordoado, as mulheres passarem pela sua vida. Com a ex-mulher, Adele, ele será marcado pelo fracasso; com Hazel perseguirá um amor platônico e com Ellen descobrirá o que, afinal, estamos fazendo aqui e qual nossa relação com o resto do mundo. Reencenando, nos ensaios de um espetáculo, sua própria vida, o jogo começa e a viagem de Caden é perturbadora.

No final do filme, os mesmos comentários dizendo tratar-se de algo hermético, cansativo ou que “a segunda metade do filme poderia ser engraçada como a primeira”. Não é pretensão minha dizer que Charlie Kaufman não é pra todos. Dê uma olhada no time de feras (femininas) que compõem o elenco dessa jornada e prepare-se para uma viagem desconcertante e arrebatadora:

Cotação (de 0 a 5); 5,0