Arquivo para Hard Candy

Madonna no Brasil: she takes my breath away

Posted in Música with tags , , , on dezembro 19, 2008 by claesen

 

Madonna kicks off her highly anticipated Sticky & Sweet Tour promoting Number One album Hard Candy at the Millennium Stadium on August 23, 2008 in Cardiff, Wales.

Foi uma espera longa. Depois do vexame de ter fechado contrato para se apresentar no Brasil e de ter voltado atrás em 2006 (porque o Japão ofereceu mais dinheiro), Madonna resolveu dar o ar da graça. Dessa vez com a Sticky & Sweet Tour. Quinze anos nos separavam de sua passagem por aqui, quando, lá no distante novembro de 1993, ela fez um show no Maracanã e outro no Morumbi.

Depois do lançamento de seu mais recente álbum (Hard Candy) em abril, da correria e confusão para comprar os ingressos para a turnê em setembro, de termos sido bombardeados o ano todo pelo cumpleaños mais famoso da década – os 50 anos da diva – e vermos especiais sobre a cantora em todas as mídias possíveis, confesso que estava de saco cheio de ouvir um assobio que fosse de Give it 2 Me na fila do metrô.

É duro ter que assumir, mas a balbúrdia toda em torno dela justifica-se. No país desde sexta-feira, dia 12, a Rainha do Pop é o assunto principal no eixo Rio-São Paulo. No Rio, no último fim de semana, onde quer que você estivesse, só se falava em Madonna. Ingressos para os seus shows eram vendidos por cambistas na praia ao lado das atrações turísticas da cidade, como o Pão de Açúcar, por exemplo.

Lugar-comum dizer que choveu em sua primeira apresentação no país. As imagens de um integrante do staf dela empunhando um guarda-chuva para proteger a pop star em suas performances na passarela central do palco foi destaque em diversos veículos de comunicação. Foi tudo em grande escala: muita chuva, muitas celebridades, muitíssimo bem organizado (pelo menos a área vip), muita empolgação do público e muita simpatia da cantora. Musiquinha improvisada para parar a chuva no show domingo, camiseta do Brasil na segunda e muitos sorrisos em ambos os dias.

Para quem, como eu, achava que o Rio seria a única exceção de um show milimetricamente ensaiado que não dá vazão a nenhum improviso, cometeu um engano. Em São Paulo, a mulher foi ainda mais simpática, mais carismática e quebrou seu próprio protocolo de novo.

A espera cansativa ao extremo e angustiante – antes do show a xingávamos de todos os nomes e a vaiávamos – foi objeto de uma grande mágica. Foi só a mulher aparecer no seu trono e dar uma piscadinha para nós que nos derretemos todos, tal qual uma verdadeira mulher de malandro.

A sensação de estarmos diante da mulher mais famosa e poderosa da música é única. Se ela resolve fazer uma reverência ao seu público, aliando seu altíssimo aparato técnico com uma dose considerável de emoção, aí então ela nos pega pela proa e não sobra mais nada. Estamos entregues.

Bem diferente da Madonna de 1993, altamente sexy com seus figurinos fetichistas da época de Erótica, mas bastante distante do público, agora pude revê-la no mesmo lugar e me deparar não só com um show diferente, mas também com uma nova cantora. Há defeitos, claro. Ela desafina algumas vezes, o figurino da última parte do show é de gosto duvidoso (o que são as ombreiras em 4 minutes a la Janet Jackson, minha gente?), a última canção, Give it 2 Me, carece de uma coreografia melhor e jamais deveria ser o encerramento e ela usa base vocal pré-gravada (um eufemismo para o playback) em várias canções. Mas nada disso importa quando estamos diante dela.

Em You Must Love Me, a emoção aflorou até na super controlada e técnica pop star. As lágrimas estavam prestes a inundar os seus olhos (nos de muita gente, como eu, inundaram fácil antes do metade da canção). Como um ser criado nos anos 80, o segundo bloco do show, é o meu favorito. É nele que Madonna pula corda ao som da clássica Into the Groove, desmonta suas cópias em She’s Not Me (foi nesta canção que ela caiu no palco no primeiro show do Rio) e empunha guitarra para uma versão deliciosa de Borderline.

Mas nada chega perto da comoção quando, no quarto e último bloco, ela canta Like a Prayer. Um dos seus maiores hits e uma das maiores pérolas da música pop de todos os tempos, a canção quase põe abaixo o Morumbi. Lembro-me de uma passagem de Eu Sei que Vou Te Amar, de Arnaldo Jabor, quando, lembrando de seu primeiro orgasmo, a personagem feminina descreve que na hora pensava “o que está acontecendo? É carnaval? É São João? É Sete de Setembro?” tamanho o delírio que sentia. Like a Prayer é isso. Pular e gritar junto a milhares de pessoas envoltos na mesma energia causa uma sensação fora do controle, fora da razão.

No show desta quinta-feira, ainda tive o prazer de ver Madonna pronunciar o meu nome, mesmo que não tenha sido para mim. No momento em que ela dá voz à audiência para que possamos pedir uma canção – que ela canta à capella – um xará desse jornalista foi o escolhido. Madonna não entendeu muito bem o nome, mas não importa. A canção escolhida foi Like a Virgin, o clássico dos clássicos de uma carreira com mais auges do que fracassos, mais sucessos do que qualquer Whitney, Barbra ou Mariah possam ter, mais polêmicas do que qualquer Amy ou Britney tenham proporcionado, mais reinvenções do que qualquer artista tenha feito.

Citando uma frase cujo autor eu desconheço, “a vida não se conta pelas vezes que respiramos, mas pelos momentos em que nos faltam o ar”. E um show de Madonna é um desses raros e inesquecíveis momentos (junto com apenas mais uns cinco ou seis) para se levar para a vida toda.

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Madonna e Woody Allen. Tudo em comum?

Posted in A la carte with tags , , , , on maio 4, 2008 by claesen

Está em cartaz, no Brasil, o mais recente filme de Woody Allen, O Sonho de Cassandra. Está nas lojas, do mundo todo, o mais recente álbum de Madonna, Hard Candy. Acabei de ver o filme, e percebi que este trabalho aproxima a visão que tenho desses dois artitas. Estranho? Vejamos…

Muita coisa se falou sobre o álbum da loira milionária nas últimas semanas. Confesso que esperei por algo terrível quando Madonna juntou-se a Timbaland, Pharrel Williams e Justin Timberlake (os reis da Billboard e do pop fácil) para produzir este cd. Confesso também que depois de um tempo eu já não esperava mais nada e, de tanto martelarem este assunto, o que eu queria mesmo é que Madonna fosse mandada para a lua e voltasse daqui há uns dez anos. Mas Madonna não foi. E o assunto em todos os lugares é Hard Candy.

Assim como Woody, a mãe da Lourdes Maria teve uma carreira meteórica e atingiu o topo bastante cedo. Conseguiu a maior vendagem de sua carreira com um álbum de estúdio logo com o 3º, True Blue (1986). Woody ganhou o Oscar ainda na década de 70, com Annie Hall. Ambos produziram muitas coisas bacanas depois, com altos e baixos.

Hard Candy, assim como o filme novo do Woody, tem vários elementos para dar certo. Tem a presença de profissionais competentes, é sofisticado, é um produto de “griffe” enfim.

Ao contrário do que muita gente (incluindo este blogueiro) achava, Madonna não ficou descaracterizada neste novo trabalho. Assim como antes do primeiro Woody Allen em Londres (Match Point) pensávamos que “todo Woody Allen TEM que ser em Nova York”, a loira não ficou menos pop, trabalhando com os reis da black music e do hip hop.

Hard Candy parece uma continuação natural de seus trabalhos anteriores, se virmos pela perspectiva de que Madonna sempre quer se reinventar. Se analisarmos pela ótica de que ela gosta de inovar, de trazer produtores novos para a cena musical, aí sim, veríamos uma incoerência, uma vez que ela preferiu nomes consagrados para se cercar.

Seu 11º álbum de estúdio soa black music, mas também soa dance, soa pop, soa Madonna, enfim.
Algum jornalista disse que a participação de Justin Timberlake, se compararmos o cd a um filme, seria como se ele tivesse feito uma ponta. Mas onde estava escrito de que esse era um álbum de duetos a la Simone e Zélia Duncan? Não. Este é um álbum de Madonna com seus colaboradores. E Justin cumpre muito bem o seu papel de coadjuvante. É acompanhada por ele, aliás, que ela tem dois dos melhores momentos do álbum: 4 Minutes e Dance Tonight.

Lembro-me de declarações dos senhores Justin e Timbaland dizendo que dariam uma roupagem black ao cd, mas que o mesmo seria bastante anos 80, remetendo à primeira fase da loira. E é isso que temos na já mencionada Dance Tonight, em She’s Not Me (que carece de um refrão forte), em Heartbeat (séria candidata à música do ano, a qual eu reproduzo aqui embaixo) e em Give It 2 Me (um dos pontos fracos do cd). Esta última lembra os lados B grudentos que Madonna cantava, algo como Jimmy Jimmy (de True Blue, 86) ou para citarmos algo mais recente, Amazing (de Music, 00). Um pena saber que ela será o próximo single a ser lançado.

Incredible, a faixa 7, é impossível de ser ouvida inteira. Antes encarar uma tortura S&M por 3 horas seguidas com o mais impiedoso dos mestres do que ouvir os seis minutos desta catástrofe. Não sei onde Madonna quis chegar com a mesma, mas fato é que não chegou.

Apenas uma balada integra o cd. Devil Wouldn’t Recognize You é o tipo de canção que me faz lembrar porque eu não gosto de Mariahs, Celines e Whitneys. É verdade que Madonna tem uma Crazy For You no seu caminho, mas geralmente suas baladas são cool, sem gritarias, sofisticadas, tão interessantes que quase não são baladas! (Ok, meu lado romântico não é lá muito desenvolvido, minha gente).

No final, é isso. Hard Candy não é nenhum Manhattan ou A Rosa Púrpura do Cairo, mas é um trabalho que faz sentido e prova que Woody Allen, ops, Madonna, ainda está em forma.

Cotação (0 a 5): 4,0 – Petit four

PS: Este post foi escrito por livre e espontânea PRESSÃO de Welton Trindade. A pessoa mais obcecada por Madonna que já se teve notícia no globo. Parece que só nos fiordes islandeses existe um fã que rivaliza com ele. Mas é tão frio, mas tão frio por lá que a coleção de centenas de cds que o islandês possui precisa ser aquecida por 23 focas que se revezam sentando 24 horas por dia em cima dos mesmos a fim de aquecê-los. E como a matança de focas está em alta… É, Welton, acho que a sua coleção está melhor guardada… rs

Madonna vende alma ao hip hop para voltar às paradas

Posted in Al dente with tags , , , on abril 3, 2008 by claesen

Ok, pra não dizerem que só chocho a tia, eis o seu vídeo novo, 4 Minutes.

O clip será lançado oficialmente amanhã, dia 04/04, às 04h44 (Sim, a mulher está bem cabalística!)

Tudo bem, Madonna está no sangue, mas como vemos nas imagens a seguir, ela distancia-se cada vez mais da verve rock’n’roll que marcou o seu início, inspirada em Debbie Harry e David Bowie, lá nos primórdios dos anos 80.

De qualquer forma, críticas mais consistentes só serão possíveis quando o seu álbum, Hard Candy, for lançado no dia 28 de abril.

No principal site brasileiro dedicado à cantora http://www.madonnaonline.com.br o povo coloca, praticamente de hora em hora, as posições em que o single está nos diversos charts americanos. Não queria falar para eles, mas isso é doentio, ok pessoal? rs

No Top 100 da Billboard, a parada oficial dos EUA, a canção chegou ao 3º lugar nesta semana. Um marco se lembrarmos que a cantora não conseguia um top 5 desde Don’t Tell Me, de 2001.

Ok, chega de falar e vamos curtir o vídeo, dirigido pelos franceses Jonas e François, os mesmos do s.e.n.s.a.c.i.o.n.a.l. D.A.N.C.E. do Justice, no ano passado.

E pára de torcer pra titia cair da esteira, porque isso volta, viu?