Arquivo para Joy Division

CatPeople: Não é um Interpol, mas vale um play

Posted in Al dente with tags , , on novembro 23, 2008 by claesen

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Enquanto o site novo não fica pronto e o Digestão mal tem sido atualizado, a categoria música é a que mais sofre por aqui. Depois de algum tempo, voltamos a falar sobre algumas novas bandas.

Hoje, temos o CatPeople (não confundir com a Cat Power), que não é exatamente algo novo. Em seu segundo álbum, What’s The Time Mr Wolf?, a banda de Barcelona bebe no new wave e também no pós-punk do Joy Division e segue a linha Interpol-Editors-She Wants Revenge. Já tocaram para mais de 20 mil pessoas ao lado do Pet Shop Boys (que bem poderiam passar pelo Brasil já que os anos 80 têm baixado em peso por aqui).

Eis o primeiro single do álbum, Sister.

Os fantasmas de Ian Curtis

Posted in A la carte with tags , , , , , , , on maio 18, 2008 by claesen

Como entender alguém que está prestes a chegar ao auge de sua carreira e resolve deixar cair o pano? Com essa pergunta na cabeça eu fui assistir a Control, longa de Anton Corbijn, que estréia na próxima sexta no Rio e em São Paulo.

O filme conta a história de Ian Curtis. Britânico de Manchester, Ian monta uma banda com seus amigos, influenciado pelos ícones que dominavam a cena musical de meados dos anos 70, como David Bowie, The Clash, Lou Reed e Iggy Pop. Nascia o Joy Division.

A banda e seu casamento precoce com Debbie Curtis eram os pilares de sua vida. Mas enquanto o grupo despontava, sua relação arruinava-se. A biografia de Debbie, Touching from a Distance, foi o material fundamental para o diretor construir o mosaico de relações e paixões do jovem músico.

Fotógrafo famoso e sempre ligado ao mundo da música, o holandês Anton Corbijn afirma que foram as canções do Joy Division que o fizeram trocar a terra dos moinhos pela Inglaterra em 1979. De fã passou a colaborador da banda e são dele algumas das fotos mais famosas de Ian Curtis. Com uma carreira que inclui capas para revistas conceituadas como Esquire, Rolling Stones, Mojo e Time Out, de singles de nomes estrelados como U2, R.E.M. e Morrissey, no entanto, é com os seus videoclipes que o nome de Corbijn costuma ser associado. Do bizarro ao soturno, o holandês fez trabalhos marcantes com (clique na banda para ver o clip) Echo & The Bunnymen, Nirvana, Front 242 e Roxette. Mas é com o Depeche Mode a sua parceria mais longeva: entre 1986 e 2005 trabalharam juntos em 19 videoclipes, marcados ora pelo preto-e-branco, ora pelas cores fortes, como o laranja, e cheios de sombras e imagens desfocadas.

A fotografia é peça fundamental em Control. O diretor, estreante na direção de longas, assumiu preferir tons monocromáticos e não tem dúvidas de que o velho p/b é o que mais caracteriza Ian Curtis. Do elenco, destacam-se as peças-chave: Sam Riley, vivendo o músico e Samantha Morton, a esposa. Riley preparou-se seis meses para o papel e, assim como o resto dos atores que compõem a banda, realmente toca e canta no filme. Samantha é das britânicas clássicas: se entrega ao papel sem medo e tem uma carga dramática que lembra Emily Watson.

Com crises constantes de epilepsia, mas uma doença que pode ser controlada, e com um casamento naufragando, quando apaixona-se pela belga Annik, a pergunta do início do post volta à tona. Seriam estes motivos suficientes para o músico de 23 anos acabar com a própria vida?

O suícidio, o ato mais feroz e deseperado que uma pessoa pode cometer na vida, dificilmente consegue ser explicado em qualquer caso. Não seria diferente com Ian.

Pressionado em conseguir resolver as histórias com as duas mulheres mais importantes de sua vida? Refém de algum problema neurológico depois de tantas drogas preescrevidas pelos médicos para sua epilepsia? Incontrolável medo do sucesso que chegaria a níveis estratosféricos após a turnê que a banda faria nos EUA em poucos dias? Não se sabe.

Tirar a própria vida, longe de um ato covarde, é, sim, um ato solitário e de extrema coragem. Semelhante a uma declaração dada por um dos músicos na época do lançamento do filme no Festival de Cannes de 2007, me vêm à cabeça uma frase de Van Gogh, “o suicida faz com que os amigos e familiares sintam-se os seus assassinos.” Sinais são mostrados sem que tomemos conhecimento da gravidade. Mas, apesar disso, com os medos e frustrações mais secretos só a própria pessoa pode lidar.

Talentoso e deprimido, os olhos e as letras de Ian Curtis combinam com as últimas palavras de Van Gogh, depois do pintor atirar contra o próprio peito: A tristeza durará para sempre.



Cotação (de 0 a 5); 4,0 – Petit four

PS: Tomo a liberdade de dedicar este post a quem infelizmente associo a este assunto e a boa parte do que escrevi aqui. Uma das pessoas mais brilhantes que conheci. Em 18 de maio de 1980, Debbie e os fãs perdiam Ian Curtis. Não tanto tempo atrás assim, eu perdia João Xavier. Nem mil posts renderiam uma homenagem à altura da importância que você teve na minha vida. Você se foi, mas a dor continua para sempre, João.