Arquivo para Mickey Rourke

Num ano de britânicos, Kate Winslet é a grande estrela do Globo de Ouro

Posted in Buffet variado with tags , , , , , , , , , , , , , , , on janeiro 12, 2009 by claesen

katewinslet

“Vocês têm que me desculpar, porque eu tenho o hábito de não ganhar as coisas”. Foi dessa maneira que a britânica Kate Winslet começou seu agradecimento ao receber o Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante por The Reader. O que Kate não poderia imaginar é que a 66ª cerimônia de entrega do prêmio da Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood estava determinada a corrigir o erro ignóbil de sempre ignorá-la. Dez minutos antes do final das longas três horas de premiação, a atriz foi reconhecida novamente, dessa vez com o prêmio de melhor atriz de drama por Revolutionary Road, no qual é dirigida por seu marido, Sam Mendes.

Se era dado como certo de que Meryl Streep venceria em pelo menos uma das categorias em que era indicada – melhor atriz de drama e melhor atriz de comédia/musical – muitos esqueceram de apostar em Kate. Afinal, na categoria principal ela teria que bater, além de Meryl – sempre ótima -, em Angelina Jolie num excelente desempenho, e ainda na queridinha da crítica, Anne Hathaway.  E o furacão britânico atropelou não só as americanas, como também a espanhola Penélope Cruz,  favorita absoluta na categoria coadjuvante. Kate fez história ao receber dois prêmios de atuação, no mesmo veículo – cinema -, no mesmo ano. Vai ser difícil ela não receber sua primeira estatueta do Oscar no próximo mês.

Emocionante também foi a surpresa de Sally Hawkins, outra britânica, ao receber seu globo de melhor atriz de comédia/musical, por Happy-Go-Lucky. E a elas se juntou mais um britânico: Danny Boyle. Quem diria que o homem que fez Transpotting e Cova Rasa um dia estaria como o mais premiado de uma noite tão estrelada em Hollywood? Seu filme, Slumdog Millionaire, levou para casa os quatro prêmios em que concorria: melhor filme – drama, diretor, roteiro e trilha sonora.

Confirmando o previsto, o australiano Heath Ledger recebeu o globo póstumo de ator coadjuvante merecidamente por Batman – O Cavaleiro das Trevas, a Pixar arrebatou melhor animação para WALL-E e o supervalorizado Vicky Cristina Barcelona o de melhor filme – comédia/musical. The Wrestler levou a melhor canção para o tema homônimo composto por Bruce Springsteen e também o melhor ator em drama para Mickey Rourke. Engraçado foi ver Rubens Ewald Filho, na transmissão pela tevê, desancando Rourke. “Esquisitão” foi o adjetivo mais sutil usado pelo crítico. A língua venenosa de Ewald estava afiada e sobrou também para Laura Dern (“mas que pena , uma atriz tão boa, feia né?”) e muitas alfinetadas na HBO.

Colírio para os olhos, o irlandês Colin Farrell, que parecia ter feito um curso com Nicole Kidman do tipo “como ser bom ator e se envolver em 38 filmes ruins consecutivamente”, arrebatou o prêmio em comédia/musical por Na Mira do Chefe, jogando a má sorte de lado. Espero que ele não se inscreva agora no curso que a minha querida Julianne Moore ministra chamado “como ser excelente atriz e só se envolver em produções cujos temas ou papéis sejam polêmicos e mal vistos pelo grande público”.

Apesar de demorada, foi bom ver, além de algumas ótimas escolhas, várias veteranas no mesmo lugar. Meryl Streep, Glenn Close, Shirley MacLaine, Susan Sarandon, Emma Thompson, Jessica Lange, Sally Field, Eileen Atkins. Vamos combinar que se caísse uma bomba durante a cerimônia, Hollywood não teria quem fizesse os papéis de vovós a partir de 2010. Ah sim. Judi Dench não foi. Bem, ela teria que se desdobrar bastante no futuro. Graças a Deus, tudo correu em paz.

Daqui a duas semanas, é a vez do SAG Awards, o prêmio do Sindicato dos Atores. Como bem disse Leonardo Cruz na Folha deste domingo, lugar-comum e pura besteira achar que Globo de Ouro é uma prévia do Oscar. Há muito tempo que não é mais assim. Os prêmios dos sindicatos sim, revelam a verdadeira tendência dos votantes, uma vez que quase todos eles são filiados em seus respectivos sindicatos. Para os Globos, fica a fama da festa importante mais informal de Hollywood, os agradecimentos longos, as quebras de protocolo e muito pouca tendência. Mas Kate está dentro. Isso é certeza.

Anúncios