Arquivo para maio, 2008

Leonera: una perdedora buena

Posted in Al dente with tags , , on maio 30, 2008 by claesen

Além do frio que nao se deixa passar despercebido e do perigo que é acreditar nas faixas de pedestres, o que pode também chamar a atençao em Buenos Aires sao os cartazes que anunciam Leonera.

O longa do argentino Pablo Trapero, que estreiou ontem em terras portenhas (por aqui, os lançamentos ocorrem às quintas-feiras),  pode ter saído de mãos vazias do Festival de Cannes, mas as críticas dos jornais locais o avaliam entre bom e excelente.

Protagonizado por Martina Gusman (favorita à Palma de Ouro, a qual foi perdida para a brasileira Sandra Corveloni) e Rodrigo Santoro, o thriller fala do envolvimento entre suas personagens, Julia e Ramiro, que têm em comum a relaçao com o ex-marido de Julia.

Esse parece ser mais um exemplar do bom cinema argentino. A ver.

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Si, ella me persegue

Posted in Buffet variado with tags , on maio 28, 2008 by claesen

Para quem tem os ouvidos acostumados a Ladytron, Raveonettes ou no máximo Madonna, está difícil sair às ruas e ouvir apenas… Shakirita!!

Ela nao é argentina tampouco lançou cd novo, mas, onde quer que você esteja em Buenos Aires, só dá essa mulher.

Desse jeito, voy a volver a Brasil rebolando mis cuadris, con cabellos rubios y con la cinturita bien delgada. É, acho que retornarei com um bom up grade!

Sandra Corveloni ganha melhor atriz em Cannes

Posted in Petiscos with tags , , , , on maio 25, 2008 by claesen

Dos meus tempos de teatro, uma das grandes referências e aprendizados que guardei foram as aulas que tive com Sandra Corveloni. Por quê será que mesmo sabendo a excelente atriz que esta moça é, eu ainda fiquei tão surpreso ao ver hoje o anúncio dos vencedores da edição 2008 do Festival de Cannes?

Sandra Corveloni, atriz de teatro, com atuações memoráveis no Grupo Tapa, levou a Palma de Ouro no festival de cinema mais badalado do mundo por Linha de Passe, longa de Walter Salles e Daniela Thomas. Ela junta-se ao time de Isabelle Hupert, Helen Mirren, Meryl Streep, Maggie Cheung e Fernanda Torres, vencedora em 1986.

Emocionou-me muito esta notícia. E, se não tivesse me decidido pela carreira jornalística, hoje poderia colocar no meu currículo de ator com muito orgulho: tive aula e fui dirigido pela melhor atriz do Festival de Cannes. E ponto.

Segue trailer do espetáculo Amargo Siciliano, o qual tem Sandra no elenco, e está em cartaz no Viga Espaço Cênico, em São Paulo. Parabéns, querida!

Top 10 – Os melhores videoclipes com atores famosos

Posted in Buffet variado with tags , , , , , , , , , on maio 24, 2008 by claesen

Inaugurando uma sessão que me é muito cara – as listas (sim, sou viciado nelas) – depois de uma boa pesquisa (e um pouco de memória também) eis que surge o posto mais longo do Digestão. Porém, para aqueles que reclamam ou alegam preguiça quando vêem mais de 100 caracteres juntos, uma boa notícia: o post é longo devido às imagens e não às palavras contidas nele. Fiquem calmos.

Aqui estão os 10 melhores vídeos com os coadjuvantes mais famosos do planeta. Não foram considerados vídeos cujas canções são parte da trilha de filmes, ok? E, caso tenha esquecido algum, não tenha dúvidas: use o espaço chamado Comentários. Ele é todo seu.

PS: O vídeo do Justin Timberlake, What Goes Around Comes Around, apesar de cinematográfico e da bela Scarlett Johansson não foi considerado, pois o mesmo não está disponível para a incorporação no blog. 🙂

#10 Rolling Stones – Anybody Seen My Baby
Atriz Convidada: Angelina Jolie

A carreira da atriz estava apenas despontando, em 1997, quando ela atravessava as ruas de Nova York e bancava a stripper num clipe cheio de estilo e ótima fotografia.

#9 Sonic Youth – Sunday
Ator Convidado: Macaulay Culkin

Depois do fenônemo Esqueceram de Mim e antes de virar ícone gay com o filme Party Monster, o loirinho fazia pose e beijava a namorada ao som de Kim Gordon e cia.

#8 Paula Abdul – Rush Rush
Ator Convidado: Keanu Reeves

No auge da sua carreira de sex symbol, com Caçadores de Emoção e Garotos de Programa, o libanês Keanu beijava a hoje jurada do American Idol, que em 1991 liderava a Billboard e metralhava em todos os cantos a balada do ano.

#7 U2 – Electrical Storm
Atriz Convidada: Samantha Morton

Em cartaz com Control, num vídeo dirigido pelo mesmo diretor do filme, Anton Corbijn, a atriz britânica faz um par dramático e caliente com o bonitão Larry Mullen.

#6 Paralamas – Ela Disse Adeus
Atriz Convidada: Fernanda Torres

Homenagem ao cinema mudo no que eu considero o melhor vídeo nacional já feito. Fernanda encarna uma esposa que, cansada do que a vida lhe apresenta, não hesita, toma uma atitude. Ou três.

#5 Aerosmith – Crazy
Atrizes Convidadas: Alicia Silverstone e Liv Tyler.

Alicia completa aqui uma trilogia com a banda (os outros dois foram Cryin’ e Amazing) de vídeos muito bacanas e que marcaram época nos ’90. Neste, ela tem a companhia da filha de Steven Tyler, Liv, que, revelada neste vídeo, foi para a telona depois. Bancando duas colegiais que fogem da escola para viverem aventuras pela vida, elas deixaram muitos marmanjos animados na época, com certeza. rs

#4 Madonna – Bad Girl
Ator Convidado: Christopher Walken

David Fincher, hoje cineasta badalado (Clube da Luta, Zodíaco), teve inúmeros vídeos memoráveis em sua carreira no meio musical. Neste vídeo sombrio, Madonna encarna a devoradora de homens, fetichista e amargurada e Christopher, seu anjo da guarda. Atente para o final: edição e clima impressionantes. Inesquecível.

#3 Tom Petty – Into The Great Wide Open
Atores Convidados: Johnny Depp e Faye Dunaway

Em 1991, Johnny Depp já tinha o seriado Anjos da Lei na bagagem e sua carreira cinematográfica começava a tomar forma com Edward, Mãos de Tesoura. Não havia opção mais adequada do que Depp para encarar esse rock star problemático. De quebra, Faye Dunaway como a empresária.

#2 Badly Drawn Boy – Pissing In The Wind
Atriz Convidada: Joan Collins

Quem melhor do que Joan Collins, a rainha das soap-operas americanas, para viver uma socialite em crise que precisa de um empurrãozinho para a sua noite acontecer? Canastrona, dramática, sofisticada, aliada à melhor canção de 2001.

#1 Fatboy Slim – Weapon Of Choice
Ator Convidado: Christopher Walken

E dá-lhe Christopher. Sua segunda participação no top ten é memorável. Vídeo ganhador de inúmeros VMAs, tem deliciosa fotografia, direção de arte e efeitos visuais e uma idéia genial. Atuação e vídeo históricos.

Death Cab se extende, mas não enjoa

Posted in Al dente with tags , , , on maio 20, 2008 by claesen

Saiu o primeiro vídeo do recém-lançado álbum do Death Cab for Cutie, Narrow Stairs.

A banda americana é bem bacaninha e ficou famosa quando suas músicas tocavam ou a própria banda aparecia no extinto seriado (arrgh) The. O.C., da Warner, que valia mesmo só pela trilha sonora.

Difícil decidir o que é mais singelo: se a letra, a melodia ou este clipe encantador de (sim) oito minutos e meio.

Segue o refrão e o clip da linda I Will Possess Your Heart (E a crítica do álbum eu fico devendo, Lipp):

You got to spend some time, love
You got to spend some time with me
And I know that you’ll find love
I will possess your heart

Duffy homenageia a titia

Posted in Sugestão da casa with tags , , , on maio 19, 2008 by claesen

Num momento totalmente Papel Pop, o Digestão traz Duffy, a queridinha das paradas britânicas, fazendo um cover da moça que já levou malho até de Vanilla Ice, no programa Radio 1 da BBC.

A canção é Borderline, primeiro single de Madonna a entrar no Top 10 americano em abril de 1984. E veja você: dois meses antes da própria Duffy nascer. rs

Mesmo segurando a letra nas mãos e com essa cara de atriz pornô americana que vai ao mercado comprar xarope de Maple pras panquecas do maridão cafajeste, ela deu conta do recado.

Os fantasmas de Ian Curtis

Posted in A la carte with tags , , , , , , , on maio 18, 2008 by claesen

Como entender alguém que está prestes a chegar ao auge de sua carreira e resolve deixar cair o pano? Com essa pergunta na cabeça eu fui assistir a Control, longa de Anton Corbijn, que estréia na próxima sexta no Rio e em São Paulo.

O filme conta a história de Ian Curtis. Britânico de Manchester, Ian monta uma banda com seus amigos, influenciado pelos ícones que dominavam a cena musical de meados dos anos 70, como David Bowie, The Clash, Lou Reed e Iggy Pop. Nascia o Joy Division.

A banda e seu casamento precoce com Debbie Curtis eram os pilares de sua vida. Mas enquanto o grupo despontava, sua relação arruinava-se. A biografia de Debbie, Touching from a Distance, foi o material fundamental para o diretor construir o mosaico de relações e paixões do jovem músico.

Fotógrafo famoso e sempre ligado ao mundo da música, o holandês Anton Corbijn afirma que foram as canções do Joy Division que o fizeram trocar a terra dos moinhos pela Inglaterra em 1979. De fã passou a colaborador da banda e são dele algumas das fotos mais famosas de Ian Curtis. Com uma carreira que inclui capas para revistas conceituadas como Esquire, Rolling Stones, Mojo e Time Out, de singles de nomes estrelados como U2, R.E.M. e Morrissey, no entanto, é com os seus videoclipes que o nome de Corbijn costuma ser associado. Do bizarro ao soturno, o holandês fez trabalhos marcantes com (clique na banda para ver o clip) Echo & The Bunnymen, Nirvana, Front 242 e Roxette. Mas é com o Depeche Mode a sua parceria mais longeva: entre 1986 e 2005 trabalharam juntos em 19 videoclipes, marcados ora pelo preto-e-branco, ora pelas cores fortes, como o laranja, e cheios de sombras e imagens desfocadas.

A fotografia é peça fundamental em Control. O diretor, estreante na direção de longas, assumiu preferir tons monocromáticos e não tem dúvidas de que o velho p/b é o que mais caracteriza Ian Curtis. Do elenco, destacam-se as peças-chave: Sam Riley, vivendo o músico e Samantha Morton, a esposa. Riley preparou-se seis meses para o papel e, assim como o resto dos atores que compõem a banda, realmente toca e canta no filme. Samantha é das britânicas clássicas: se entrega ao papel sem medo e tem uma carga dramática que lembra Emily Watson.

Com crises constantes de epilepsia, mas uma doença que pode ser controlada, e com um casamento naufragando, quando apaixona-se pela belga Annik, a pergunta do início do post volta à tona. Seriam estes motivos suficientes para o músico de 23 anos acabar com a própria vida?

O suícidio, o ato mais feroz e deseperado que uma pessoa pode cometer na vida, dificilmente consegue ser explicado em qualquer caso. Não seria diferente com Ian.

Pressionado em conseguir resolver as histórias com as duas mulheres mais importantes de sua vida? Refém de algum problema neurológico depois de tantas drogas preescrevidas pelos médicos para sua epilepsia? Incontrolável medo do sucesso que chegaria a níveis estratosféricos após a turnê que a banda faria nos EUA em poucos dias? Não se sabe.

Tirar a própria vida, longe de um ato covarde, é, sim, um ato solitário e de extrema coragem. Semelhante a uma declaração dada por um dos músicos na época do lançamento do filme no Festival de Cannes de 2007, me vêm à cabeça uma frase de Van Gogh, “o suicida faz com que os amigos e familiares sintam-se os seus assassinos.” Sinais são mostrados sem que tomemos conhecimento da gravidade. Mas, apesar disso, com os medos e frustrações mais secretos só a própria pessoa pode lidar.

Talentoso e deprimido, os olhos e as letras de Ian Curtis combinam com as últimas palavras de Van Gogh, depois do pintor atirar contra o próprio peito: A tristeza durará para sempre.



Cotação (de 0 a 5); 4,0 – Petit four

PS: Tomo a liberdade de dedicar este post a quem infelizmente associo a este assunto e a boa parte do que escrevi aqui. Uma das pessoas mais brilhantes que conheci. Em 18 de maio de 1980, Debbie e os fãs perdiam Ian Curtis. Não tanto tempo atrás assim, eu perdia João Xavier. Nem mil posts renderiam uma homenagem à altura da importância que você teve na minha vida. Você se foi, mas a dor continua para sempre, João.